Explorar a Caldeira, o Vulcão dos Capelinhos e Outros Vulcões - Discover Faial - Island of Nature & Culture

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Tudo o que precisa de saber

A ilha do Faial, cuja formação se iniciou há cerca de 800.000 anos, no Complexo Vulcânico da Ribeirinha, na zona este da ilha é integralmente constituída por materiais vulcânicos.

Na sua forma actual, a ilha estrutura-se em torno de um grande vulcão central, em cujo centro se situa uma profunda Caldeira, formada há mais de 10.000 anos. Ao longo do tempo, a actividade vulcânica foi uma constante, sendo as mais recentes a erupção do Cabeço do Fogo, em 1672-1673, e a erupção na Ponta dos Capelinhos, em 1957-1958.

Algumas formações vulcânicas podem ser visitadas de carro, outras apenas podem ser acedidas a pé, através de trilhos. Também é possível percorrer o famoso Trilho dos 10 Vulcões que, partindo da Caldeira, na parte mais alta da ilha, percorre 10 diferentes vulcões, até alcançar a magnífica paisagem do vulcão dos Capelinhos, formado há apenas 60 anos. (saiba mais em “trilhos pedestres”).

Descubra algumas das formações vulcânicas que podem ser visitadas no Faial:

©The Plantation Faial

Caldeira

Acesso: carro ou trilhos

A Caldeira tem uma forma perfeitamente circular com cerca de 2000 metros de diâmetro no seu bordo interior, bem como uma profundidade média de 400 metros, encontrando-se coberta por uma exuberante vegetação de Laurissilva. Localizada na parte central, a Caldeira é o ex-líbris da ilha e o seu interior representa uma das manchas mais intactas de floresta nativa dos Açores. É um dos poucos sítios visitáveis, onde ainda se poderá sentir e imaginar como eram os Açores antes da presença humana. Assim, a Caldeira do Faial é uma reserva natural de grande importância nos Açores e a vista do seu miradouro é considerada como um ponto de visita incontornável.

Esta é uma caldeira que resultou de sucessivas fases de abatimento de um vulcão com 410 mil anos de idade e cuja última erupção se deu há apenas 1000 anos, cobrindo cerca de 75% da superfície da ilha com pedra-pomes incandescente. No fundo da cratera, encontra-se um cone resultante desta última fase eruptiva, cuja forma, curiosamente, faz lembrar a imagem da própria ilha.

Poderá visitar a Caldeira de 3 formas:

  • Visita ao miradouro – Poderá chegar à Caldeira facilmente de carro, numa viagem de 20-30 minutos, a partir da Horta, que passa por belíssimas paisagens da parte alta da ilha. À chegada à Caldeira, existe um parque de estacionamento, podendo depois aceder ao miradouro através de um túnel de acesso pedonal. A vista para o interior da gigantesca cratera é impressionante. Se quiser desfrutar um pouco mais das vistas e desta envolvência singular, sugerimos-lhe um pequeno passeio pelo caminho do trilho, que aí se inicia. Em menos de 15 minutos poderá chegar ao Monte Gordo, o ponto mais alto da ilha.
  • Percorrer o perímetro da Caldeira – Este é um dos trilhos mais emblemáticos da ilha do Faial. O percurso circular, com cerca de 8 km, permite dar a volta completa ao vulcão, percorrendo a orla da sua cratera. Apresentando poucos desníveis e obstáculos, é acessível a pessoas de várias idades, como mais ou menos preparação e experiência. As vistas são extraordinárias, complementando-se a perspectiva para o interior da cratera com as panorâmicas para toda a costa da ilha e para as ilhas vizinhas. O trilho pode ser percorrido a caminhar ou a correr, de forma autônoma ou com guias e empresas especializadas. Saiba mais sobre o trilho aqui.
  • Descida à caldeira – A descida ao interior da Caldeira do Faial é uma experiência excepcional! No seu interior encontra-se uma das mais bem conservadas manchas de floresta Laurissilva da região, de grande importância para a conservação natural dos habitats endémicos dos Açores. Por esse motivo, apenas é permitido descer à Caldeira acompanhado por guia certificado, havendo um número máximo permitido de pessoas por dia, regulado pelo Parque Natural da Ilha do Faial. O trilho, classificado como difícil, é estreito e íngreme, descendo a encosta em ziguezague. Nalgumas zonas é preciso utilizar as mãos para progredir. Sendo considerado um habitat húmido, é frequente encontrar lama e uma área alagada no fundo da Caldeira.

Importante: Sendo uma zona de montanha, as condições meteorológicas na Caldeira não são muito estáveis e nem sempre há visibilidade. Deste modo recomendamos que dê alguma prioridade à visita à Caldeira e que aproveite para a visitar assim que surgir uma boa oportunidade. Desta forma garantirá que não sai da ilha sem ver um dos ex-libris dos Açores.

©Shoot4ward

Vulcão dos Capelinhos

Acesso: carro ou trilhos

A visita ao Vulcão dos Capelinhos é uma experiência marcante. A paisagem formada pela erupção que aconteceu em 1957 / 1958 remete-nos a uma viagem à lua ou a Marte. Contrastando com a imagem tradicional dos campos verdejantes dos Açores, a visão do Vulcão e de toda a envolvência é marcada pela aridez e pelos tons negros das cinzas vulcânicas.

Inserido no complexo vulcânico do Capelo, na Ponta dos Capelinhos, foi este o último vulcão com erupção, sendo as suas consequências ainda hoje bem visíveis, uma delas o aumento do próprio território em cerca de 2,50 km2 com a solidificação da lava que ficou acima do nível do mar.

Este é um lugar que nos convoca para o momento da sua criação. A cada instante imaginamos as forças titânicas envolvidas na erupção, ainda tão presente, sentindo o eco do vulcão que, surgido no meio do mar, há 60 anos atrás, cresceu e ligou-se à ilha, acrescentando um novo pedaço de terra ao Faial.

Durante a visita poderá:

  • Contemplar o Vulcão e a Paisagem a partir da zona em redor do Farol, que sobreviveu à erupção
    Visitar a região da antiga Aldeia Baleeira que foi soterrada pelo Vulcão, seguindo o Circuito Interpretativo – Caminhos dos Baleeiros
  • Percorrer uma pequena parte do Trilho dos 10 Vulcões, que atravessa a paisagem árida do Vulcão dos Capelinhos
  • Visitar o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos
    Subir ao Farol e apreciar a vista panorâmica deste lugar

Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos

É o centro de interpretação ambiental mais visitado dos Açores. Tem caráter informativo, didáctico e científico, dispondo de um conjunto de exposições, com especial destaque para a vulcanologia, onde aborda a erupção do Vulcão dos Capelinhos, a formação do arquipélago dos Açores, os diversos tipos de atividade vulcânica no mundo. Lugar ainda para uma exposição sobre a riqueza e diversidade arquitectónica dos faróis açorianos e para uma grande colecção de rochas e minerais.

Foi nomeado pelo European Museum Forum, para a categoria de melhor museu da Europa, no ano de 2012.
O edifício encontra-se soterrado, de modo a não interferir com a paisagem pré-existente, permitindo desfrutar desta recente paisagem vulcânica originada pela erupção de 1957/58. Para além de um conjunto de exposições, o Centro dispõe de um auditório e de um café. No final da visita, aproveite para subir pelas escadas de caracol até ao cimo do Farol. Lá do alto poderá desfrutar de uma vista única para toda a zona envolvente do Vulcão.

Saiba mais sobre o Centro de Interpretação.

©Rê Schermann

Cabeço dos Trinta

Acesso: carro até ao acesso à Levada, no Capelo, e cerca de 1 km de trilho a pé

A visita ao Cabeço dos Trinta é muito surpreendente pois entra-se no centro da cratera através de um túnel. Temos mesmo a sensação de estar dentro de um vulcão! O cabeço está localizado junto ao início/ fim do Trilho das Levadas, no Capelo, a 752m de altitude.

©Siaram

Cabeço Verde

Acesso: carro ou trilhos

Uma das principais atrações do Cabeço Verde é a vista e o facto de ser acessível de carro. Em dias com boa visibilidade, vale a pena a visita para observar a costa norte, com o Vulcão dos Capelinhos, o Cabeço do Canto e o Oceano Atlântico como pano de fundo.

©Rê Schermann

Cabeço do Canto

Acesso: Trilho

O acesso ao Cabeço do Canto, localizado a 346 metros de altitude, é feito por um belíssimo trilho a partir do Vulcão dos Capelinhos ou do acesso ao Cabeço Verde. Além da paisagem lindíssima, no percurso encontrará a Furna Ruim, uma cavidade com geomorfologia de origem vulcânica, com cerca de 55 metros de profundidade, que se encontra abrangida pela Rede Natura 2000.

©Siaram

Cabeço Gordo

Acesso: carro ou trilho

O Cabeço Gordo, com 1043 metros de altitude, é o ponto mais alto da ilha e encontra-se geograficamente localizado numa das vertentes do vulcão basal da ilha do Faial, fazendo esta elevação parte do vulcão. Do cabeço, em dias de visibilidade, é possível observar uma vista magnífica sobre a Ilha do Faial e sobre as ilhas vizinhas Pico, São Jorge e Graciosa. É a sensação plena de arquipélago!

©Rê Schermann

Calderinhas

Acesso: carro ou trilho

Localizadas no Monte da Guia, as Caldeirinhas, também designadas de Caldeira do Inferno, são formadas por duas crateras vulcânicas geminadas, parcialmente submersas pelo mar. Integram a Reserva Natural das Caldeirinhas e têm uma área total de 10 hectares.

Estas caldeiras inundadas pelo oceano funcionam como uma acolhedora maternidade de espécies da fauna marinha, como por exemplo, salemas (Sarpa salpa) e bodião-vermelho (Labrus bergylta). Local de elevado interesse biológico da flora endémica dos Açores como a urze (Erica azorica), ou a nativa faia-da-terra (Morella faya).